quinta-feira, 20 de março de 2014

DIA 21 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL


http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pwdtcomemorativas/default.php?reg=3&p_secao=59

21 de Março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial

No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:

"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública"

O racismo se apresenta, de forma velada ou não, contra judeus, árabes, mas sobretudo negros. No Brasil, onde os negros representam quase a metade da população, chegando a 80 milhões de pessoas, o racismo ainda é um tema delicado.

Para Paulo Romeu Ramos, do Grupo Afro-Sul, as novas gerações já têm uma visão mais aberta em relação ao tema. “As pessoas mudaram, o que falta mudar são as tradições e as ações governamentais”, afirma Paulo. O Grupo Afro-Sul é uma ONG de Porto Alegre, que promove a cultura negra em todos os seus aspectos.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD – em seu relatório anual, "para conseguir romper o preconceito racial, o movimento negro brasileiro precisa criar alianças e falar para todo o país, inclusive para os brancos. Essa é a única maneira de mudar uma mentalidade forjada durante quase cinco séculos de discriminação”.

Aproveite esta data para refletir: você tem ou já teve atitudes racistas?

"A polícia bate, espanca, mata muito mais a minha cor do que a sua"


http://blogueirasnegras.org/2014/03/20/a-policia-bate-espanca-mata-muito-mais-a-minha-cor-do-que-a-sua/

A policia bate, espanca, mata muito mais a minha cor do que a sua


Do que vocês estão falando? Com que direito lamentam a morte da Claudia? (Sim, Da Claudia. Não, não era minha amiga, conhecida, mas era preta e por isso era minha irmã). A Claudia morreu com a autorização de vocês. A Claudia morreu sob os seus olhares, as suas súplicas por justiça, morreu pelos desejos de vocês, morreu do jeito que vocês gostam: TORTURADA, ESFOLADA, COMO UM ANIMAL.
Ué, não é à policia a quem vocês dão o aval todo santo dia de matar? De espancar? De tratar igual a lixo quem é pretx, pobre, periféricx? Não é reverência à policia que vocês fazem quando ela mata? Não é pra ela que vocês acendem vela quando ela entra no morro e mata meia dúzia “que tinha envolvimento com o tráfico”? Não é dos jargões dela que vocês se utilizam quando se orgulham de “cumprir uma missão”? Não foram vocês que viram Tropa de Elite e acharam que era uma grande homenagem ao BOPE?
Ou vocês são doentes ou são hipócritas. E qualquer que seja o problema, ninguém está de boa fé.
Lembram quando a polícia matou asfixiado o Sandro do Nascimento? Quem, Gabi?Quem é esse cara? Vou refrescar a memória de vocês. Sandro era cria da Nova Holanda, na Maré. Antes de nascer, o Sandro foi abandonado pelo pai. Aos seis viu a mãe sendo assassinada. Mais velho, se viciou em crack. Anos depois sobreviveu à Chacina da Candelária. Outros anos depois, morreu asfixiado pela policia, dentro do camburão, depois de ter sequestrado o ônibus 174 e não ter matado (acredito que nem atirado em) ninguém.
Os policiais que mataram Sandro foram absolvidos sob a alegação de que o mata leão que aplicaram nele não tinha a intenção de matar. Pois é, lembram quando isso aconteceu? Vocês que hoje se indignam com a morte da Claudia bateram palma, acharam bonito quando a policia matou o Sandro, porque afinal de contas “bandido bom e bandido morto”, não é? Ora, acordem, seus hipócritas, foi o aval de vocês – se aliviando com a morte do Sandro – que autorizou a policia a tratar A Claudia como eles trataram. Mesmo depois de a própria policia ter atirado nela! Aliás, a bala que atingiu Claudia também foi autorizada por vocês!
Cade o Amarildo? Que fizeram com o corpo dele? O Amarildo tinha que estar era na consciência parca de vocês porque a policia só fez o que fez porque existe uma população que acha bonito entrar na favela e “passar o ferro na bandidagem”. O governo e a policia conhecem tanto esse raciocínio pequeno que usam exatamente o argumento que vocês vão comprar: o Amarildo “era” bandido também. Facilitava a fuga de traficantes… Não foi isso que disseram? Aliás, foi isso que eles também alegaram para ter atirado na Claudia.
Fico me perguntando, cadê aquele coxinha neonazista, já aludido em outro texto meu, que estampou sua timeline com dois seguranças mortos por bandidos, clamando pela justiça com as próprias mãos? Me perguntei e chequei: não, ele não estampou sua timeline com a foto ou o video da Claudia toda arrebentada, ensangüentada. Vai ver que pretx, pobre, faveladx e periféricx não merecem compadecimento e revolta. Tampouco a morte delx merece ser vingada como dá a entender a decisão do Ministério Público Militar de soltar os policiais envolvidos no caso que demanda medidas extremamente enérgicas.
Eu tô falando com vocês que estão ávidos pela redução da maioridade penal. Eu tô falando com vocês que não veem cor, que não veem classe social. Que querem justiça independentemente de cor ou classe. Vocês precisam entender de uma vez por todas que se vocês se negam a enxergar e negam todo um contexto social que a polícia não nega. Alias, a polícia sabe direitinho a quem abordar, como abordar, e o que fazer quando a abordagem dá errado. A policia sai todos os dias do quartel sabendo exatamente que se nasceu preto e pobre já está “errado”. Incentivando a ação da policia, vocês estão sendo tão cruéis e desumanos quanto ela. Eu tô falando com vocês que são incapazes de se compadecer com a dor de uma família e tentam indecentemente minimizar a ação da PMERJ.
Eu tô falando com todos vocês.
E sabe por que eu estou aqui escrevendo? Por sorte! Por pura sorte! Eu poderia ser a filha da Claudia ou do Amarildo, poderia ser a irmã ou a namorada do Sandro. Eu poderia ser só mais uma voz calada na favela. A Claudia poderia ser a minha mãe… Poderia ser eu a ser confundida com bandido ou a ter que levar minha mãe pro hospital depois de ser alvejada duas vezes pela policia. Estou viva, mas até quando? Porque a pobreza, o analfabetismo, a violência e o estupro têm a minha cor. Porque a policia bate, espanca, mata muito mais a minha cor do que a sua. Sorte, porque na esmagadora maioria das vezes, o determinismo social sorri é pra minha cor.
Enquanto vocês continuarem a dar aval pra polícia matar bandido, bater em menor de idade, humilhar morador da favela, invadir comunidade, essa mesma policia vai continuar a matar na Candelária, na Nova Holanda, na Congonha, na Rocinha, no Flamengo, na Lapa, em São Paulo, em Brasília, Claudias, Amarildos, Sandros, Gabrielas, Pedros, Marcelos, Jades, Lourdes, Marias, Leandros.

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Cláudia e Amarildo: tragédias anunciadas na Cidade "Maravilhosa"


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Cláudia e Amarildo: tragédias anunciadas na Cidade “Maravilhosa”

Por Felipe Aveiro*
Cláudia da Silva Ferreira sendo arrastada pela viatura da PM-RJ, depois de ser baleada por membros da corporação.
As imagens gravadas na manhã de domingo por um cinegrafista amador chocam: uma viatura policial em movimento com o porta-malas aberto e, presa ao para-choques por um pedaço de roupa, uma mulher é arrastada no asfalto por cerca de 250 metros. Por mais que as pessoas na rua e outros motoristas tenham tentado insistentemente pedir que os policiais parassem o carro, eles pouco deram atenção. Só pararam no sinal quando desceram da viatura, colocaram o corpo de volta no porta-malas e seguiram seu caminho.
Como bem lembrado em um comentário nas redes sociais, fosse ela uma médica, branca, moradora do Leblon, arrastada pela Ataulfo de Paiva; a comoção certamente seria maior; mas Claudia Silva Ferreira, de 38 anos, é “apenas mais uma” trabalhadora mãe de família, negra e pobre. A auxiliar de serviços gerais, que trabalhava no Hospital Naval Marcílio Dias no Lins, saiu de casa para comprar pão naquela manhã de domingo quando teve a vida tirada pela ação de policiais que faziam uma incursão no Morro da Congonha, em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Cláudia foi alvejada com dois tiros pela PM: um nas costas e um no pescoço. Em depoimento à Polícia Civil, os PMs que atiraram em Cláudia afirmaram que tentaram socorrê-la, ainda com vida, mas que ela já teria chegado morta ao Hospital Carlos Chagas.
Os policiais disseram que ela foi acertada em uma troca de tiros, mas os depoimentos dos moradores contradizem essa versão: a PM já teria chegado atirando na favela, prática que já se tornou corriqueira e naturalizada na cidade em nome do “combate ao tráfico”. A mesma PM que com frequência assombrosa forja autos de resistência (medida administrativa criada na Ditadura Civil-Militar com intuito de encobrir execuções) tentou se esquivar dizendo que ela estaria em “posse de armas”. Assim como Rafael Braga Vieira, morador de rua negro que foi indiciado e preso por portar uma garrafa de desinfetante em uma manifestação em junho do ano passado, as “armas” nas mãos de Cláudia eram inofensivas, a saber, um copo de café e seis reais.
“Que hipocrisia, essa PM mata pobre todo dia”
Quantas pessoas precisarão perder a vida para que possamos enfrentar a sério o debate sobre segurança pública? É inaceitável que a polícia, sob qualquer pretexto, entre atirando a esmo em uma comunidade pobre sem se preocupar com a segurança da população. Direitos e dignidade não podem ter CEP! Segurança é um bem público, e deve ser oferecido à todos de forma igualitária, o que não acontece com frequência com uma política de segurança que, na prática, funciona como instrumento de criminalização da pobreza.
A ideia de que vivemos uma “Guerra às Drogas”, consenso propagado pela mídia grande, justificam as mortes de centenas de jovens que acabam naturalizadas. Os jornais anunciam a morte de “traficantes”, e não de seres humanos, pois essa categorização, a exemplo dos “vândalos” nas manifestações, encarnam a ideia do “inimigo interno”, que precisa ser neutralizado em nome da paz e da democracia.
Essa distinção simplista encobre a complexidade que envolve essas questões. Segundo o antropólogo e especialista em segurança pública, Luiz Eduardo Soares, para quem a lei proibicionista não acaba com a demanda por drogas, não há sequer uma distinção clara entre os “bandidos” e os “mocinhos” nessa história, entre “traficantes” e “policiais”: “Nunca houve tráfico (de drogas) no Rio senão com a polícia como parceira e, frequentemente, como protagonista. Então não há essa distinção polícia/tráfico: polícia é o tráfico, tráfico é a polícia”
A política da “Guerra às Drogas” legitima as violações aos direitos humanos cometidos pelo Estado contra os pobres, com apoio da classe média amedrontada que vê erroneamente a “pacificação” como uma saída para os problemas da violência urbana. As mortes de (supostos) traficantes acaba naturalizada, e certamente a morte de Cláudia passaria em branco se não fossem as imagens gravadas pelo cidadão que as disponibilizou na internet com repercussão através das redes.
Os três policias envolvidos, dois subtenentes e um soldado, encontram-se presos e passarão por um inquérito aberto pela Polícia Militar para investigar o acontecido. Dois deles inclusive já responderam por homicídio, tendo os processos sido arquivados, e estão envolvidos em 62 autos de resistência.
“Paz sem voz não é paz, é medo”
A presidente Dilma em sua conta no Twitter diz que “a morte de Cláudia chocou o país”, mas omite a verdade: Cláudia foi assassinada pela polícia. A cobertura do episódio foi bem diferente de quando alguns manifestantes agrediram um coronel da PM em uma manifestação em São Paulo quando a presidente colocou o Governo Federal à disposição do governo de Alckmin, e clamou para que a justiça fosse feita contra as “barbáries antidemocráticas”. Dois pesos, duas medidas.
Esse trágico episódio deve nos servir de alerta. Após a morte de Amarildo, ajudante de pedreiro, morador da Rocinha que se tornou símbolo de luta após ser torturado na sede da UPP, assassinado e ter seu corpo ocultado por policiais em junho de 2013, não podemos deixar que o nome de Cláudia seja esquecido e sua morte naturalizada até que a próxima tragédia ocorra. O debate maior sobre segurança pública posto nas ruas nas Jornadas de Junho permanece aceso e precisa ser enfrentado com coragem e honestidade. Além do debate sobre a descriminalização do uso de drogas e a mudança do enfoque da lei de drogas, de caso policial para caso de saúde pública, a pauta da desmilitarização da polícia mostra-se novamente urgente e necessária.
A lógica militar por trás da polícia é a do enfrentamento bélico ao “inimigo”. Mas ao contrário do Exército que tem o papel constitucional de salvaguardar a soberania nacional frente a alguma ameaça externa, a Polícia Militar, braço auxiliar das forças armadas, segue esse mesmo princípio só que combatendo o “inimigo interno”, um conceito que pode abrangir um leque enorme de categorias que vão de traficantes à manifestantes, sem-terras, quilombolas ou ativistas sociais, de acordo com a conveniência dos governantes, aos quais a polícia está atrelada. A violência cotidiana da polícia em favelas e periferias de todo o Brasil não são mais do que um reflexo dessa nossa sociedade racista, autoritária e regida por valores econômicos segregacionistas.
Outra questão que temos que enfrentar no estado do Rio de Janeiro é a política de “pacificações” nas comunidades. Ninguém tem dúvidas de que o Estado deve se fazer presente nas áreas mais pobres, de onde se ausentaram nas últimas décadas. Entretanto não podemos aceitar que a presença do Estado se faça apenas através da repressão policial. Precisamos de uma polícia que aja como garantidora de direitos, e não como principal violadora dos mesmos.
Amarildo não foi o primeiro, mas Cláudia deveria ser a última. Não queremos uma “paz” baseada no confronto, no policiamento ostensivo e na militarização dos espaços. O poder público deve se fazer presente com educação, saúde, lazer, saneamento básico, em suma, todos os direitos básicos que garantem um mínimo de dignidade àqueles cidadãos esquecidos e invisibilizados pela lógica capitalista. O Rio de Janeiro é hoje uma cidade gerida para os negócios e o lucro, e não para a garantia de direitos.
Nós do Juntos! prestamos toda nossa solidariedade à família e aos amigos de Cláudia, em especial às oito crianças (4 filhos e 4 sobrinhos) dos quais ela tomava conta. Não ficaremos de bocas caladas e seguiremos denunciando os casos de abuso das polícias em todo o país e lutando por uma revisão da lei de drogas, bem como pela desmilitarização da polícia e por uma reforma política que coloque o país rumo à uma democratização da política, que deve atender aos anseios do povo.
*Felipe Aveiro é militante do Juntos RJ

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quarta-feira, 19 de março de 2014

"Até quando vai durar esse extermínio ao povo preto, favelado e pobre?"


http://blogueirasnegras.org/2014/03/19/exterminio-ao-povo-preto/

Até quando vai durar esse extermínio ao povo preto, favelado e pobre?


“Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas…”
Audre Lorde
Claudia da Silva Ferreira, mulher, mãe, filha da classe trabalhadora, pobre, favelada e NEGRA… Trinta e oito anos e que tinha a missão de criar quatro filhos (as) e mais quatro sobrinhos (as). A trajetória de vida de Claudia da Silva Ferreira não sairia do anonimato se sua vida não tivesse sido ceifada de forma brutal em plena luz do dia. Não era um dia qualquer, era um dia de domingo. Provavelmente, ela havia sido explorada a semana inteira em seu local de trabalho e aguardava com ansiedade o final de semana pra trabalhar dobrado em casa, mas esse trabalho, por mais cansativo que fosse ela o fazia com satisfação, pois, estava cercada dos seus filhos (as), do companheiro, familiares e amigos (as).
Além do erro de ter nascido preta, mulher e pobre, Claudia trazia consigo um copo de café e quatro reais em suas mãos. Aquilo que ele portava, em muito se parecia com uma arma, e isto, foi o que deu o direito a policiais em serviço atirarem em sua cabeça e peito. Com total requinte de crueldade, arrastaram seu corpo pelas ruas do seu bairro, como se faziam no período escravocrata que arrastavam negros (as) rebeldes para servir de exemplo a outros insurgentes. O que choca nessa cena brutal, é que era um dia de sol e dia de domingo pela manhã (se fosse a noite, provavelmente seu corpo teria sido desovado em algum lugar e se encontrado, teria como justificativa a mentira dela estar envolvida com os “bandidos” como tentaram fazer com o Amarildo e como fazem como os nossos jovens todos os dias), as ruas estavam movimentadas, o comércio funcionando, crianças indo pra pracinha, outros indo à praia sabe se lá… Apesar do tiroteio naquele bairro, a vida tentava seguir o seu curso.
Pois bem, só tive ciência dessa barbárie ontem a noite, mas, lembro que domingo pra mim foi um dia pesado, sufocado e com uma sensação enorme de coisa estranha no ar. Assim que soube do ocorrido, chorei até cansar, com uma dor infinita que se propaga há vários séculos. Foi um mix de lembranças ruins e uma vontade enorme de implodir tudo isso aqui…
A história de Claudia se assemelha com a da minha mãe, que também com quatro filhos (as), criou mais quatro sobrinhos. Foi nesse momento que a dor se intensificou, porque não eu não parei de pensar que essa violência poderia ter acontecido com a minha mãe. Eu liguei pra casa imediatamente, queria saber se estava tudo bem com ela, lembro que a única coisa que eu queria era ouvir a sua voz, quis o seu colo também, mas a distância não me permitiu isso. Lembrei da minha mãe saindo de casa as quatro da manhã pra trabalhar em casa de família, ou em feiras, com sua barraquinha de verduras e frutas, ou quitutes, e até mesmo quando ela ia pro manguezal catar caranguejo pra vender na feira e trazer algum alimento pra nós, assim como Claudia fazia toda semana, minha mãe trabalhava duro para nos dar o mínimo necessário para sobrevivemos.
Eu me coloquei no lugar dos filhos (as) de Claudia, que agora, além da violência sofrida e que causou a sua morte, veem a todo tempo vídeos e fotos do corpo da sua mãe espalhados em redes sociais e jornais e que por alguns dias terá sua vida exposta por essa mídia carniceira e voraz. Mas o que mais me incomoda, é saber que daqui a alguns dias, ou quem sabe meses, esse fato cairá no esquecimento, assim como aconteceu com o Amarildo (pedreiro assassinado e que até hoje a família não encontrou seus restos mortais).
Não quero silêncio e nem promessas, estou cansada de ver o racismo assombrando e violentando nossos corpos há pelo menos quinhentos anos aqui no Brasil. Somos arrastados constantemente por correntes e presos a algemas de um sistema que tem o Estado como principal aliado na barbárie impetrada a nós todos os dias. Nós população negra e pobre, somos violentados em todos os sentidos. Não temos direito a moradia, a saúde, a habitação, a educação, somos chamados de macacos em campos de futebol, vimos cenas de estupro e violação do corpo negro feminino, temos os nossos cabelos comparados a palha de aço a todo o momento. Vemos denúncias de crianças que tentam estudar em escolas precárias e sem a mínima condição possível para que isso aconteça. Ainda assim, temos que ouvir que o racismo está em nossas cabeças, que somos os mais preconceituosos e que tudo não passa de uma mania de perseguição…
Pergunto-me até quando seremos agredidos desta forma, sem ao menos termos o direito de reagir. Até quando vai durar esse extermínio ao povo preto, favelado e pobre? Digam-me como podemos nos orgulhar de nossas raízes, se a todo o momento temos a nossa identidade violentada e a nossa história negada? Até quando vamos engrossar as fileiras dos necrotérios, dos presídios, dos hospitais psiquiátricos, da fila do SUS, dos bolsões de misérias, dos projetos sociais precarizados e focalizados, que em nada contribuem para a emancipação do ser social? Até quando vamos ver as crianças pretas com vergonha dos seus cabelos crespos e de sua cor, porque são agredidas nas escolas e em outros espaços de sociabilidade? Até quando vamos aumentar as estatísticas de sermos os principais mortos por armas de fogo, violência obstétrica ou negligência médica? Até quando vou me deitar com o coração numa mão e a minha guia de proteção na outra, pedindo pelos meus irmãos, namorados, maridos, sobrinhos e outros homens negros que saem de casa e não sabemos se voltam…
Continuaremos a lutar como quem agarra a vida pelas unhas e com o fio de voz que nos resta, gritamos e denunciaremos o açoite. Que o mundo saiba que mesmo amordaçados, e com as nossas carnes e vísceras expostas, continuaremos de pé e caminharemos… NÃO SUMCUMBIREMOS AOS NAVIOS NEGREIROS, AOS CAMBURÕES E CAVEIRÕES, AOS ESCOMBROS E REMOÇÕES… Tenho fome e sede por dias melhores, portanto, sou implacável no desafio de viver. Vida é o meu nome e Resistência meu sobrenome. Por isso e por mais, queremos o fim dos PROGRAMAS SENSACIONALISTAS QUE EXIBEM NA HORA DO ALMOÇO HOMENS E MULHERES COMO SE FAZIAM NOS LEILÕES DE ESCRAVIZADOS, QUEREMOS O FIM DOS AUTOS DE RESISTÊNCIAS E O FIM DAS INCURSÕES POLICIAIS NAS FAVELAS E PEREFERIAS, QUEREMOS O FIM DAS UPP´s E DA POLÍCIA MILITAR!
Pelos Amarildos, Sheilas, Joãos, Marias, Fabíolas, Flávias, Allynes, Carinas, Jussaras, Júniors, Felipes, Andersons, Jailsons, Michelles, Helaines, Priscilas, Carlas, Anas, Júlias, Expeditos, Alans, Sebastiãos, Larissas, Brunos, Deises, Terezinhas, Sergios, Kátias, Rodrigos, Marcios, Claudias entre outros (as), que vivem entre a linha tênue da vida e da morte e que mesmo ARRASTADOS (AS) continuam de pé…
Luto pelo fim desta sociedade classista, racista, misógina, lesbofóbica, homofóbica, patriarcal e que caminha a passos largos em direção à desumanização da vida! Além das ruas, escrever também é uma forma de extravasar a dor…

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SEMINÁRIO UNESCO/MEC - DIA 21 DE MARÇO


http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/education/inclusive-education/general-history-of-africa/summary-of-the-gha-collection/#c1398789

Síntese da História Geral da África e conteúdos para a educação infantil - evento de lançamento

© UNESCO
No âmbito do Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas, criado em resposta à promulgação da Lei n° 10.639 de 2003, que determina a inclusão de conteúdos sobre a história da cultura afro-brasileira e africana na educação básica nos sistemas de ensino no Brasil, estão sendo lançados, em 21 de março de 2014, dois materiais pedagógicos: a “Síntese da coleção História Geral da África” e o livro “História e cultura africana e afro-brasileira na educação infantil”.  Além disso, haverá também o lançamento do Prêmio Curta Histórias.
Os lançamentos acontecem durante o evento Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial: o Papel da Educação, das 8h30 às 12h, no auditório que fica no térreo do Ministério da Educação, em Brasília. A promoção é uma parceria entre a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Integração do Ministério da Educação (MEC/SECADI) e a UNESCO no Brasil. O evento será aberto ao público, de acordo com a lotação do auditório.
A “Síntese da coleção história geral da África” está publicada em dois volumes e pretende fornecer subsídios para pesquisadores e estudantes, bem como para a prática pedagógica de professores responsáveis pela educação básica, com o objetivo de ampliar seus conhecimentos em relação à história e a cultura africana. O volume 1, dividido em quatro capítulos, contém, de forma criteriosa, o resumo dos temas publicados nos quatro primeiros volumes da edição completa da coleção História Geral da África, abordando os períodos desde a pré-história até o século XVI. O volume 2 aborda os temas tratados nos quatro últimos volumes da edição completa da coleção, abrangendo desde o século XVI até o século XX.
O livro "História e cultura africana e afro-brasileira na educação infantil", por meio de projetos pedagógicos, disponibilizará tanto para os professores responsáveis e compromissados com a educação da primeira infância quanto para os interessados de modo geral, conteúdos sólidos para a formação e o conhecimento sobre a riqueza, as diferenças e a diversidade da história e da cultura africana e suas influências na história e na cultura do povo brasileiro, contribuindo, também, para a o desenvolvimento de práticas pedagógi

VIOLÊNCIA - CHEGA!

Nossa indignação!

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DIGA NÃO - pequenas corrupções

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